30 de Dezembro de 2007

sobre a Lei Orgânica nº 2/2003 de 22 de Agosto, vulgo Lei dos Partidos Políticos...


Mais um acordo político e anti-democrático entre o PS e o PSD, a Lei dos Partidos Políticos. Segundo esta Lei, deve-se fazer a extinção judicial de um Partido, caso se confirme a "redução do número de filiados a menos de 5000", alínea b) do nº1 do artigo 18º. Adianta ainda a mesma Lei, já no seu artigo 19º, que compete ao Tribunal Constitucional verificar regularmente "com a periodicidade máxima de cinco anos, o cumprimento do requisito mínimo de filiados".
Mais uma incrível e anti-democrática intromissão do Estado, na liberdade de associação e de expressão. Valores consagrados na Constituição nos art, 34º, 45º, 46º. Mais, os anti-democratas e ignorantes, que fizeram esta lei também se esqueceram da Lei 67\98, Lei de protecção de dados pessoais, e do seu art.7º, "É proibido o tratamento de dados pessoais referentes a convicções filosóficas ou políticas, filiação partidária ou sindical"
Fico para ver os desenvolvimentos legislativos desta aberração, e já agora, a abordagem do TC a tudo isto. Lembro que o TC é composto por juízes indicados pelo PS e pelo PSD (como nos Bancos...)


"Não iremos entregar nenhum desses nomes no Tribunal Constitucional"
Jerónimo de Sousa, 18-12-07
"Segundo Afirmou Jerónimo de Sousa em Coimbra, o PCP não vai, em nome do direito á privacidade, "entregar nenhum desses nomes". E agora? Irá o TC promover a extinção do PCP? Tinha a sua piada, o PCP de novo na clandestinidade. Seria a cereja em cima do bolo "tipo democrático" que tem vindo a ser cozinhado entre nós nos últimos anos"
Manuel antónio Pina, in JN, 21-12-07

28 de Dezembro de 2007

o assalto

Se a água e a saúde são os negócios do milénio, em Portugal, a Caixa Geral de Depósito é o negócio da década. O seu desmantelamento, entenda-se.
Só num país com uma classe dirigente ordinária e sem qualquer tipo de pudor seriam possiveis os recentes acontecimentos. O presidente do banco do Estado, no espaço de dias passa para presidente do maior banco privado.
Atrás de si segue, naturalmente, segue um conjunto de informações vitais e importantes sobre a CGD, e que certamente serão muito uteis a quem lhe faz concorrência. Segue também a boysada do PS para o BCP, que se verá substituida na CGD pela boysada do PSD . Uma promiscuidade despudorada incrivel. Exemplificadora da tomada do Estado pelo "centrão".
As declarações dos dirigentes do PSD exigindo lugares na CGD, ou as declarações de dirigentes do PS elogiando os seus boys são paradigmáticas. Que entre Catroga do PSD para a CGD, por troca com Armando Vara do PS que salta para o BCP.
Vale uma aposta, em que não faltará muito para se começar a privatização da CGD?
Este país precisa de uma "operação mãos limpas".

24 de Dezembro de 2007

Que um poeta não morre IX - Bom Natal


O Quotidiano deseja a todos um Natal porreiro.
Como presente, uma história antiga
HISTÓRIA ANTIGA

Era uma vez, lá na Judeia, um rei
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

Miguel Torga, 1981

22 de Dezembro de 2007


"A invenção da ratoeira não pertence aos nossos dias. Desde que as sociedades, ao formarem-se, criaram um sistema de polícia, essa polícia inventou as ratoeiras"

Alexandre Dumas, in "os três mosqueteiros"


A Praça do Marquês, no Porto, é habitualmente frequentada por idosos, que por lá convivem. No coração da cidade, é dos seus sitios mais calmos e tranquilos, principalmente numa tarde de Sabado em plena época de Natal.

Como hoje, na Casa Viva, no nº157 da Praça, a ASEH promovia um debate seguido de concerto de solidariedade com o País Basco, a polícia decidiu, de uma forma insidiosa e discreta mudar para lá um pequeno destacamento. Desconheço se o SIS por lá circulou, ou se os 35 guardas civis espanhóis que actualmente estão a operar em Portugal também por lá passaram. Admito que toda esta gente lá tenha estado.

Mas o que tenho a certeza é que, mais uma vez o Estado, detentor do monopólio de violência, procurou vigiar uma iniciativa política, fixar caras e pessoas. Uma vergonha, imprópria da Democracia.

Depois da repressão sobre os sindicatos, depois das leis sobre os partidos políticos, da lei sobre a violência no desporto et caetera... mais uma vez se demonstra o carácter vigilante e opressor que o capitalismo, e os seus agentes, apresenta.

a época soarista está aí...














Quase, repito quase, faço minhas as palavras de Baptista Bastos no DN. Digo quase, porque me parece demasiado optimista em relação a Mário Soares. Sobre Clara F. Alves, BB diz quase tudo sobre esta "soarista" assumida, capaz dos maiores zigue-zagues políticos.
"O programa chama-se O Caminho Faz-se Caminhando, centra-se em Mário Soares e é exibido mensalmente na RTP. Uma senhora por lá desfila roupas e futilidades, expondo um provincianismo cosmopolita sem remédio e demonstradamente patusco. Mário Soares merecia outro interlocutor. À vista desarmada, logo nos apercebemos de que a senhora não está à altura da circunstância. Não compreende, talvez por indiferença histórica, ignorância ou módico conhecimento dos factos, o que Paris representou no percurso político, intelectual, cultural e ideológico de Soares.
Ele nomeou pessoas, referiu episódios, indicou lugares que são capítulos fundamentais da resistência antifascista portuguesa. Forneceu pistas, espalhou indícios. A senhora passou alegremente ao lado, adornando o sumptuoso desconhecimento com inexplicáveis risadas."

21 de Dezembro de 2007

Já nem amarelo eu sou...

Há momentos e frases clarificadoras, que distinguem quem é de esquerda e quem apenas está de passagem. Miguel Portas, em artigo de opinião no passado fim-de-semana escreveu duas frases bastante clarificadoras sobre o seu posicionamento ideológico: «a adesão à CEE é a maior divida de gratidão que temos com Mário Soares» e ainda que graças a isto Soares conseguiu «enterrar definitivamente as veleidades revolucionárias do país». Percebe-se porque um tablóide de direita, como o SOL, gosta tanto de MP.
MP, homem ambicioso, pensador do BE desde o primeiro momento, orgulhoso por ser eurodeputado, demonstra o que é o tal "europeismo de esquerda" de que tanto gosta.
Bem pode MP passear-se com ares de esquerda por Estrasburgo, Damasco ou Lisboa, escrever as suas bonitas prosas ou deixar as gravatas no armário, que aqui já só engana quem gosta de ser enganado.

17 de Dezembro de 2007

Que um poeta não morre VIII

Não sei quantos seremos, mas qu'importa?!
Um só que fosse e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

Câmara Ardente, 1962

15 de Dezembro de 2007

100 anos de Oscar Niemeyer

Faz hoje 100 anos de vida Oscar Niemeyer. É impossível falar de Arquitectura no séc. XX sem referiri a personalidade e o arquitecto brasileiro. Foi Oscar Niemeyer o grande arquitecto capaz de desenhar toda uma cidade nova que o Brasil decidiu construir, a cidade de Brasília, e aí se destacam os seus desenhos da Catedral e do Congresso Nacional. Foi o mesmo homem capaz de desenhar projectos tão diversos como a mesquita de Argel, a sede do Partido Comunista Francês em Paris, diversos museus de Coritiba a Nitéroi, ou ainda o Hotel Pestana no Funchal, entre outros
Tem ainda inúmeras participações em projectos de diferentes naturezas artísticas.

Oscar Niemeyer, foi comunista desde sempre e durante a ditadura militar brasileira é forçado a exilar-se do seu país. No Brasil é obrigado a abandonar Universidade onde leccionava, diversos projectos seus são destruidos, muitos clientes seus votam-no ao abandono.
Contudo, no estrangeiro, quer o trabalho quer a forte componente humanista de Oscar são largamente reconhecidos. Foi nomeado membro honorário do Instituto Americano de Arquitectos e ganhou prémios como o Principe das Astúrias das Artes. Na União Soviética, em 1963, ganha o Prémio Lenine da Paz
Entevista de Oscar Niemeyer a Maria da Paz Frechaut, na Única do Expresso em 8.12.2007.
O idealismo e o desejo de inovação forammotores da sua vida. Ainda continua um idealista?
Permaneço um idealista, na medida em que continuo a sonhar com um Mundo mais fraternal e solidário, onde desapareçam as disparidades sociais, hoje ainda muito profundas.
O que é ser comunista hoje?
Confiar no advento de uma sociedade mais igualitária, que deixe de exibir as contradições lamentáveis que o regime capitalista criou.
Qual a coisa mais importantedesse sopro que diz ser a vida?
Talvez a capacidade de os homensse fazerem mais solidários e responderem a um mundo onde ainda prevalecem a pobreza e as desigualdades sociais.
.
Há 7 anos atrás, a sede do PCP em Viana do Castelo foi destruida por um incêncio. De imediato começou uma campanha de fundos para a sua reconstrução. Oscar Niemeyer, assim que soube da notícia, enviou um desenho seu para Portugal, que ofereceu ao PCP. O lucro obtido com a sua venda deveria reverter para a campanha de fundos.

Uma «noticia» com 174 dias de atraso...

Mas por que razão tanta surpresa?
A noticia parece um exclusivo, uma primeira mão.
Mas há muito tempo que meio mundo já sabia.

«Evitar los referendos es, en cualquier caso, un objetivo declarado de los gobiernos europeos que han impulsado esta reforma, convencidos de que un nuevo rechazo ciudadano ampliaría la crisis hasta límites insoportables y pondría en serio riesgo el futuro de la integración europea.»
Zapatero, ao El Pais de 24 de Junho

13 de Dezembro de 2007

Estocolmo


Para ser sincero, não posso dizer que a minha passagem por Estocolmo me tenha deixado deslumbrado com a cidade capital da escandinávia. Também não posso cometer a injustiça de banalizar esta cidade.
É uma cidade bonita, banhada por água de uma série de lados, tem diversas ilhas perfeitamente urbanizadas, toda a construção na marginal, com um traço antigo, tem bastane piada de facto, a própria organização colectiva da cidade é bastante boa, mas... Por outro lado, não tem nehum museu que seja particularmente interessante, não se encontra qualquer tipo de obra de arquitectura, de engenharia ou de arte, quer de grande originalidade, quer futurista ou futurante, de relevo. De facto, é tudo muito bonitinho e arranjadinho mas não passa disso mesmo. Sinceramente é a minha opinião.
Acho também um bocado desagradável ás 3 da tarde já ser de noite. E ás seis da tarde já estar um frio perfeitamente delirante (o resto do dia está "apenas" mesmo muito frio!!!). Depois, claro, o drama da disparidade entre o custo de vida português e o sueco.
Não dou notas como o outro, e a verdade é que vale sempre a pena conhecer.

11 de Dezembro de 2007

Nunca me esquecerei de ti, Alex!

Se houvesse motivo de arrependimento, seria por nâo ter visitado Berlim mais cedo. Que fantastica e' Berlim.
Berlim consegue ter a capacidade de misturar o antigo com o moderno, o fra'gil com o forte, o Oeste e o Este. A arquitectura e a engenharia ou a arte e o design säo elementos marcantes, na forma da cidade, como esta se desenvolveu e construiu.
Täo impressionante como isto, o desfile de fo'runs, de museus, de teatros, de salas de especta'culos etc..., percebe-se, afinal de contas, qual e' a cidade minimamente moderna que prescinde da presenca da cultura, da arte e do saber?
E' tambe'm dificil falar ou compreender o se'culo XX sem referir Berlim. Para o bem e para o mal, ningu'em tera' vestido täo intensamente a camisola do se'c.XX com esta cidade. Aqui, nasceu e cresceu a mais sinistra criatura que o capitalismo inventou, o nazi-fascismo. Aqui, tambe'm o exe'rcito vermelho o destruiu. Depois cresceu outro sistema, que no mesmo se'culo desapareceu.
Durante de'cadas Berlim cresceu dividida entre dois sistemas que se degladiaram vivamente, esta cidade foi o centro da "guerra fria", e isso marcou-a, marcas que se vëm e se sentem. Quer na arquitectura, quer em pequenos focos culturais o colectivo citadino reflecte algumas diferencas.
Na foto, ressalta a imagem da television tower, em AlexanderPlatz. No seu tempo, esta muito impressionante obra de arquitectura e engenharia foi um simbolo da RDA(Leste), bem como a Praca onde esta'. Hoje esse lugar e essa obra, sao simbolos de um passado, mas tambe'm lugares centrais da Berlim de hoje. Carinhosamente, os berlinenses chamam-lhe apenas Alex. Nao consigo explicar o que sinto ao ver tudo aquilo. E' uma Praca espectacular, a se'rio que e'...

Lamento, mas no teclado onde escrevo, nao consigo escrever algumas palavras correctamente.

Isaltino encostado às cordas...(mas ele é só um e os outros?)

Isaltino, a irmã, ex-jornalista e empresários em tribunal
11 Dez, Paula Carvalho, Público


O autarca é acusado de receber dinheiro em troca de autorizações para construções e de ter declarado ao fisco metade do que ganhou
O Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa considerou que existem indícios suficientemente fortes de prática criminosa por parte do presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, para o levar a julgamento. Isaltino Morais vai, por isso, responder em tribunal pelos crimes de participação económica em negócio, corrupção, branqueamento de capitais, abuso de poder e fraude fiscal. O juiz de instrução, Carlos Alexandre, confirma assim a acusação do Ministério Público. A decisão não admite recurso.Além de Isaltino Morais, o juiz decidiu levar também a julgamento a irmã do autarca, Floripes Morais de Almeida, o ex-jornalista e actualmente empresário Fernando Trigo e os promotores imobiliários João Algarvio e Mateus Marques. Floripes Almeida é acusada de co-autoria material com o irmão de um crime de branqueamento de capitais. Fernando Trigo vai responder pelos crimes de participação económica em negócio e de branqueamento de capitais, cometidos em co-autoria com Isaltino Morais. Quanto a João Algarvio e Mateus Marques, responderão por autoria material na forma consumada de um crime de corrupção activa.Em pouco mais de cinco minutos, foi comunicada a decisão após a leitura abreviada do despacho de pronúncia com 126 folhas, na presença de três dos arguidos. Isaltino Morais não esteve presente. Os advogados de defesa não quiseram pronunciar-se sobre esta decisão. Em Janeiro de 2006, o Ministério Público acusou Isaltino Morais, oito anos depois de um inquérito iniciado em 1998 a partir de uma denúncia apresentada por uma munícipe de Oeiras, Elvira Vinagre, sobre as relações que Isaltino mantinha com construtores civis e a forma como tinha enriquecido.A PJ acabou, contudo, por propor o arquivamento do processo, cinco anos depois, considerando não terem sido apurados indícios dos factos denunciados. Isaltino Morais ocupava então o cargo de ministro do Ambiente. Por iniciativa do Ministério Público, a investigação foi, no entanto, retomada. Uma nova denúncia de que existiam contas bancárias no nome de Isaltino Morais na Suíça (não declaradas ao fisco nem ao Tribunal Constitucional) leva à sua demissão do Governo. O MP acusa o autarca de ter declarado ao fisco metade do dinheiro que efectivamente ganhou entre 1991 e 2004, exigindo o pagamento de uma indemnização ao Estado, por impostos sobre rendimentos não declarados, no total de 630.465,36 euros.Isaltino Morais é acusado de receber dinheiro em troca de autorizações para licenciamentos, construção imobiliária ou permutas de terrenos. O Ministério Público refere ainda que, entre 1993 e 2002, foram efectuados depósitos de 680 mil euros em sete contas bancárias em seu nome ou nos nomes da sua secretária e do jornalista Fernando Trigo, diz a acusação, que foi, agora, acolhida pelo Tribunal Central de Instrução Criminal.

10 de Dezembro de 2007

A saque


Ninguém os pára. Mais um sinal de que a Ocidente definha e empalidece a mais invocada de todas as vitórias, a senhora Democracia.

7 de Dezembro de 2007

A estranha qualificação

É muito interessante por os olhos na organização dos paises pelas várias zonas de qualificação para o campeonato do mundo de futebol, que se disputará, como saberão, em 2010 na África do Sul e ao mesmo tempo reflectir sobre o quão injustas são as distribuições de jogos pelas menos cotadas selecções.

A Austrália competirá pela primeira vez, por razões económicas e de desenvolvimento na modalidade, na zona asiática da competição. O seu grupo, inclui a China, o Qatar e o Iraque...Surreal. Antigamente a Austrália tinha algumas dificuldades para se apurar, pois o vencedor da Oceânia (invariavelmente eram os australianos) tinha ainda de disputar um playoff com o 5º classificado da zona sul americana (32 anos de interregno de Mundiais foram quebrados com a vitória no playoff de qualificação sobre o Uruguai e a ida ao mundial da Alemanha)...

Por outro lado, na mesma zona asiática, há equipas que não terão direito a estar na fase de grupos, não disputando dessa maneira pelo menos 6 jogos. Timor por exemplo, já está de fora da competição (sim a três anos de distância!) pois só teve direito a disputar uma eliminatória na qual perdeu concludentemente com Honk Kong (3-2 em casa, 8-1 fora). Macau foi pelo mesmo caminho, tendo perdido com a Tailândia. A Índia sucumbiu perante o Libano, mas o Paquistão não se ficou a rir pois levou 7-0 do Iraque e está de fora da corrida. A Palestina não marcou qualquer golo a Singapura e também já está eliminada. No total são 21 equipas que a 3 anos de distância, e repito, apenas com dois joguitos disputados, ficam de fora do Mundial.

Na zona Africana, Comoros e Guiné Bissau estarão igualmente três anos a ver passar navios. Na zona da América Central+Norte cerca de 12 países (ilhas, são mais ilhas do que países) farão também uma caminhada curta com 2 jogos de qualificação.

Na Oceania, por outro lado, é fartar vilanagem. O vencedor de um grupo onde estão Nova Zelândia, Vanuatu, Nova Caledónia e Fiji, ou seja a Nova Zelândia, jogará um playoff de apuramento directo para o Mundial com um país repescado da zona asiática de qualificação. Assim, sem mas nem porquês. Um mata-mata caido do céu. O que pensarão disto San Marino, Malta, Ilhas Féroé ou Andorra?

Na zona Europeia, onde há muito foram instituidos os grupos que garantem no minimo 10 jogos a todas as selecções, há alguns paises que não são de todo europeus. À cabeça Israel, pelas razões que se conhece, prosseguindo a lista com Cazaquistão, Azerbaijão e Arménia.

A qualificação é tudo menos um processo com sentido. É dificil avaliar e partir para uma generalização mas fica a sensação da falta de igualdade de oportunidades no acesso ao Mundial. A mão da FIFA determina uma distribuição de zonas, jogos e países no minimo exótica, onde pululam os interesses económicos e onde o desenvolvimento das nações futebolisticas menos desenvolvidas é desprezado.

Que um poeta não morre VII


Pátria (Diário II, 1943)

Serra!
E qualquer coisa dentro de mim se acalma...
Qualquer coisa profunda e dolorida,
Traída,
Feita de terra
E alma.

Uma paz de falcão na sua altura
A medir as fronteiras:
-Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bico a picar estrelas verdadeiras

4 de Dezembro de 2007

Won´t you dance with me?...

Nouvelle Vague vão actuar no Porto (Quinta) , em Lisboa (Sexta) e em Guimarães (Sábado). A não perder...

3 de Dezembro de 2007

inacreditável...


Detenção de um jornalista do jornal basco Gara.

No afamado Estado "democrático" espanhol, a Audiência Nacional decidiu enviar para a cadeia mais 46 processados, no âmbito do famoso mega-processo 18/98, com cerca de 100 arguídos, em que desde o padeiro até ao carpinteiro toda a gente é acusada de pertencer/apoiar a ETA. Desta vez o despudor permitiu prender um jornalista.

Estou solidário com: Alberto Frías, Elena Beloki, Txema Matanzas, Jexux Mari Zalakain, Javier Salutregi, Javi Balanzategi, Mikel Korta, Iñaki O'Shea, Joxe Mari Olarra, Juan Mari Mendizabal, Iker Casanova, Manu Intxauspe, Jose García Mijangos, Natale Landa, Olatz Egiguren, Mario Zubiaga, Ruben Nieto, Xabier Alegria, Patxi Gundin, Pablo Gorostiaga, Joxean Etxeberria, Juan Pablo Diéguez, Xabi Otero, Sabino Ormazabal, Fernando Olalde, Isidro Murga, Mikel Egibar, Mirian Campos, Patxo Murga, Txente Askasibar, Mikel Aznar, Karlos Trenor, Paul Asensio, Xabier Arregi e Iñaki Zapiain.

Manifestação de solidariedade, no passado Sábado em Bilbo/Bilbau.

Mais um assunto em que, covardemente, a comunicação social portuguesa não pega.

os clientes do costume


"O Ministério Público considera que existem «fortes suspeitas» e «elevada plausibilidade» de que os donativos de um milhão de euros, depositados pelo CDS numa conta bancária, em Dezembro de 2004, tiveram origem no concurso dos submarinos, decidido por Paulo Portas quando era ministro da Defesa.
.
O inquérito já foi instaurado em Julho de 2006, no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), mas só nos últimos meses começaram a ser realizadas diligências.O processo tem na sua base um conjunto de documentos apreendidos na sede da Escom durante as buscas da Operação Furacão (a mega-investigação de crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais), em Outubro de 2005..
A Escom tem sede nas Amoreiras, em Lisboa, integra o Grupo Espírito Santo (GES), está a ser investigada no processo Furacão e foi a entidade que negociou as contrapartidas do concurso dos submarinos, em 2003, entre o Estado português e o consórcio alemão GSC.Parte da documentação apreendida foi então remetida ao processo Portucale – onde o MP já investigava a origem dos donativos ao CDS (todos em numerário e com recibos falsos), mas relacionados com crimes de tráfico de influências.
O MP interceptara também conversas telefónicas entre Abel Pinheiro, responsável financeiro do CDS, e Paulo Portas, o líder. Nesses telefonemas, referenciam-se «compromissos» e «acordos» com Luís Horta e Costa, administrador da Escom, além de um pagamento «em Dezembro de 2004»..
Jornal SOL, 1-12-2007

Que um poeta não morre VI

Quando ao romper da manhã o Felismino ouviu bater à porta, admirou-se da pressa do companheiro. Estava madrugador, o Leoniz. Sim, senhor! Riscou um palito, acendeu a candeia e saltou da cama. A mulher, como sempre, espaçada no seu canto, sem dar acordo de si.
-Joaquina!
-Ahn?!

-Raios te partam e mais o sono! - e puxou-lhe a roupa.

O que a gente se faz!Que ruína de corpo! Dantes, mal a via assim descoberta, exposta, não resistia. Caía-lhe em cima como um abutre, mesmo antes dela acordar. Agora podia olhá-la à vontade, que a natureza nem lhe estremecia. Velho também, era o que era. Com um arrepio, a companheira abriu os olhos estremunhada e desceu a camisa pudicamente.
-O galo ja cantou?

-Não. Mas está o Leoniz a bater.

Tinha enfiado as calças e abotoava conscienciosamente a braguilha, quando novas pancadas impacientes ressoaram no silêncio.

-Lá vai! - gritou.

Meteu os pés nas botas de atanado e, sem apertar os cordões, foi à janela. Abriu, pôs a cabeça de fora e chalaceou:

-Madrugaste!

O vulto, em baixo, não respondeu.

-Que horas são?
Via-se mal. Enevoado, o céu só a custo se deixava atravessar pelos primeiros laivos da alvorada.

-Hoje deu-te a espertina!

Enquanto falava ia espetando os olhos na negrura. Começava a desconfiar que não era o Leoniz que chamava.
-Quem está aí? - perguntou, a certificar-se.
-Gente.
Não identificou a voz. E , contudo, apenas a ouviu, o coração deu-lhe um baque.

-Que é gente, vejo eu. Mas que gente?
-Não me conhece?

Agora sim, conhecia..O cabrão do Marta! Mordeu o beiço e coçou a barba.

-Olá.

-Quer vir às perdizes?

Nada mal imaginado, não senhor! Por aquela não esperava ele..Mas tinha que ser. Enterrou as unhas no lambril da janela e respondeu, sem deixar tremer as palavras:

-Posso ir.

Tirou a cabeça para dentro, voltou-se, e viu a mulher a enfiar a saia.

-Torna-te a deitar.

-E o farnel?
-Já não é preciso.
-O Leoniz leva que chegue?

-O Leoniz não vai. Se ele aparecer, diz-lhe que tive um convite e não pude recusar.
-Um convite de quem?
-Não interessa. [...]
Miguel Torga, "A caçada", Novos Contos da Montanha, 1944

1 de Dezembro de 2007

só para lembrar que a guerra/ocupação no Iraque não acabou...




«houve informações que me foram dadas, a mim e a outros, que não se corresponderam à verdade (...) Portugal não perdeu nada, também na Europa, com isso (...) depois das decisões que tomei fui convidado a ser Presidente da Comissão Europeia e tive o consenso de todos os países europeus»
Durão Barroso, in DN 17-11-2007