16 de Julho de 2009

a cereja no topo do bolo...

Numa sociedade cada vez mais injusta e desigual, onde no acesso à educação, à cultura, à habitação, ao emprego, entre tantas outras coisas é cada vez menos democrática, a proibição do comunismo(consequente ilegalização do Partido Comunista) seria uma espécie de cereja no topo do bolo. Mais ou menos como antes do 25 de Abril.
Compreende-se a preocupação de quem mete o assunto em cima da mesa, da mesma forma como se compreende que haja quem lhe dê importância, quem lhe dê compreensão e ampla difusão. Como dizia Marx em 1848, "Anda um espectro pela Europa — o espectro do Comunismo". E este espectro, que nasce e radica a sua força nas desigualdades, mete medo a muita gente(que não se sente desigual).
A direita em Portugal não tem força nem capacidade de argumentação para conseguir a revisão constitucional que propõe, o seu objectivo, de momento, apenas visa a dispersão de atenções dos reais problemas do país, e aumentar o já mui longo capítulo do seu anti-comunismo.
Felizmente em Portugal não dão mais do que isto, mas esta tentativa de branqueamento e revisão da História(com as aberrantes equiparações do comunismo a totalitarismos), noutros países, actualmente, tem tido alguns sucessos, como a proibição da existência de Partidos comunistas com este nome, a proibição da foice e do martelo, ou com a ilegalização de Partidos e organizações como na recente ilegalização da Juventude Comunista da Rep. Checa.

O sonho da direita portuguesa, não se resume à sagrada trilogia de "1 presidente, 1 governo, 1 maioria", há ali qualquer coisa apenas explicável à luz de um profundo medo do comunismo. A luta de classes também é isto.

2 comentários:

Ze Batateiro disse...

Que sentido faz defender num regime democrático, ideais não democráticos. Desculpai lá! Mudai o nome excelências para comunismo democrático e retirai a ditadura do proletariado.

Leon disse...

Quer queiramos, quer não, a nossa atitude em relação a tudo o que nos rodeia resulta justamente, e antes do mais, do facto de sermos de Esquerda, isto é, de uma "visão do mundo" essa, sim, livre. Como também a Direita, embora o não assuma, escolhe, opina e age em função da sua própria "visão do mundo" - que sucede ser a que se identifica com os interesses dos senhores da "nova ordem mundial", e por isso não é livre. Só mesmo por brincadeira a Direita pode pretender, em nome do anti-comunismo, dar lições de liberdade seja a quem for.

in João Martins Pereira, Junho de 1993