Ainda não li o novo livro de Saramago. Não vou, portanto, discutir os seus méritos.
Mas para já, não tenho dúvidas que a sociedade portuguesa já ganhou alguma coisa com a polémica instalada, não só sobre o livro, como pelas declarações do escritor e da igreja, ou ainda sobre o carácter e personalidade de Saramago.
Este é um país onde cada vez menos se discute, onde existe uma verdadeira "asfixia" opinativa, quero dizer, um país domesticado por opiniões ambiente e de grupo. O indivíduo é cada vez menos convidado a pensar pela própria cabeça.
Na Educação, na Cultura, no Direito, no Desporto, et caetera e muito mais, a formação da opinião é progressivamente condicionada. Consequentemente, a opinião é menos forte, convicta e beliciosa
Ora, neste contexto, as despudoradas e contundentes afirmações de Saramago são, indubitavelmente, pedradas num charco, que pelo menos servem para aquecer os animos.
Cinzento a mais aborrece e adormece, de vez em quando um pouco de preto e branco. Atirar sem receios.

