21 de Outubro de 2009

o mérito de Saramago

Ainda não li o novo livro de Saramago. Não vou, portanto, discutir os seus méritos.
Mas para já, não tenho dúvidas que a sociedade portuguesa já ganhou alguma coisa com a polémica instalada, não só sobre o livro, como pelas declarações do escritor e da igreja, ou ainda sobre o carácter e personalidade de Saramago.
Este é um país onde cada vez menos se discute, onde existe uma verdadeira "asfixia" opinativa, quero dizer, um país domesticado por opiniões ambiente e de grupo. O indivíduo é cada vez menos convidado a pensar pela própria cabeça.
Na Educação, na Cultura, no Direito, no Desporto, et caetera e muito mais, a formação da opinião é progressivamente condicionada. Consequentemente, a opinião é menos forte, convicta e beliciosa
Ora, neste contexto, as despudoradas e contundentes afirmações de Saramago são, indubitavelmente, pedradas num charco, que pelo menos servem para aquecer os animos.
Cinzento a mais aborrece e adormece, de vez em quando um pouco de preto e branco. Atirar sem receios.

8 de Outubro de 2009

com toda a actualidade

"A meu ver, a eficácia de uma ideologia depende mais da vontade da massa de a adotar do que da perfeição técnica do marketing político. Essa vontade da massa de adoptar uma ideologia aumenta ou diminui em função das suas condições de vida. sabemos que os períodos de estabilidade da economia capitalista são favoráveis à difusão massiva da ideologia reformista, inclusivamente entre a pequena burguesia. Os períodos de crise, pelo contrário, tornam as camadas pequeno-burguesas, e mesmo certas camadas do proletariado, mais receptivas à demagogia fascista."

Kurt Gossweiler, in Hitler ascensão irresistível, 1973

6 de Outubro de 2009

andem lá agora cabrões, quem é que tinha razão?

O tempo encarrega-se da clarificação, se o algodão não deixa enganar, a vida prova.
Já passam não-sei-quantos-meses desde a eleição de Obama e da respectiva corte. O tempo passou e comprovou-se o que já se sabia, por vezes é preciso mexer em alguma coisa para que tudo fique na mesma como se diz na Sicília, e foi precisamente esta a estratégia do Imperialismo americano e transnacional.
Na altura, como inúmeros outros marxistas por todo o mundo, escrevi que Obama não seria mais que a recauchutagem do capitalismo e do imperialismo, que era uma necessidade para a sua própria sobrevivência que rapidamente apresentasse novas vestes e personagens, enfim, qualquer coisa que lhe permitisse comprar algum tempo mais em flagrante momento de derrocada económica e militar.
Simultaneamente, da direita mais papa-hóstias e cabrona aos sectores mais social-democratas e mediatizados da pretensa esquerda todos em uníssono rejubilavam de esperanças na promessa nova que aí vinha, no fresh start Obamiano. Não se lhe pouparam elogios. Houve mesmo um deslumbrado recém-encartado eurodeputado que lhe chamou de candidato pós-ideológico...
Pois é, as sanções a Cuba mantêm-se, as tais mudanças no sistema de saúde americano continuam a não ser palpáveis para o povo americano, as tropas continuam no Iraque, e hoje anunciou-se o aumento de mais 40mil tropas para o Afeganistão.
Obrigado Marx, obrigado Lenine, pelas vossas ferramentas. Com elas vemos mais à frente.