8 de Março de 2011

Contra isto, bananas. Retiro o meu chapéu a Jel.

Nota prévia: nunca gostei do programa vai tudo abaixo nem alguma vez apreciei a banda homens da luta. Referindo-me à banda devo dizer que sempre a considerei uma caricatura grosseira e provocatória de um estilo musical de profunda inspiração popular portuguesa, e também uma ridicularização dos que lutaram e lutam pela transformação. E francamente, aquele estilo continua a irritar-me.

Posto isto, devo dizer que é notável a entrevista dada por Jel ao pobre jornalista da SIC. Uma entrevista que vale a pena do princípio ao fim.

Retiro dela algumas ideias que relevo muito, nomeadamente a valorização da luta e do seu papel no desenvolvimento histórico da humanidade, a valorização do sonho contra a resignação, o incentivo à participação como forma de desenvolvimento e de valorização da democracia. Uma outra ideia que apoio, e que tem ganho centralidade no país cinzento, é que o protesto não junta toda a gente porque a sociedade é feita de interesses diversos/antagónicos, logo uma revolução é sempre feita contra alguém - sempre.

Muito interessante, desenvolta, inteligente e até corajosa, a forma como Jel manda o jornalista às ortigas quando este diz que eles não vão mudar nada, que o protesto não altera preços e tal...e ainda quando perto do fim da entrevista, Jel lhe pergunta se ele alguma vez havia sido censurado(ao que ele, cruelmente entalado, lá admitiu cautelosamente que às vezes sentia que não devia ir por aí...) e lhe assinala(ou acusa talvez) que a pior censura é a auto-censura. Excelente momento.

Espero que Jel e os homens da luta prossigam o caminho com que se comprometem na entrevista, seria muito interessante.

5 comentários:

matrioshka disse...

concordo com algumas das coisas que referes e não gosto de ser trombuda, mas a verdade é que tenho sérias dúvidas quanto aos homens. isto porque o objecto de gozo deles é precisamente a esquerda da rua e da luta, pá! e com a astúcia de chatearem aqueles com quem meio país está chateado.
para além disso, conseguem fazer com que sejam interpretados de diversas formas, conforme o enfoque e a vontade que pomos nos nossos ouvidos e assim agradar a uns e a outros, ora pela eventual mensagem subliminar ora pela caricatura forçadas.
e acabam por ser um produto viável. do tempo e até conciliador.
e têm um sucesso tremendo porque no fundo, andamos todos tão perdidos e desnorteados que se alguém grita "e o povo pá? quero dinheiro para comprar um carro novo,pá" com ares de cantiga de intervenção, vai tudo atrás. porque é contestatária sem o ser bem. pelo que se alguém não gostar, ri-se e também fica bem.
abraço

filipe guerra disse...

Cara M.

Obrigado pelo teu comentário, visto que é a primeira vez(creio) que passas pelo QDM aceita um cumprimento meu.
Não posso dizer que discordo do que escreves(em geral), como escrevi no 1o parágrafo, não aprecio particularmente o estilo deles.
O que me importou, ao caso, foi a entrevista feita. Caso não a tenhas visto aconselho-te que o faças( às vezes tb não tenho tempo para ficar 7 minutos a ver um vídeo qq) porque me parece interessante.
Espero que apareças mais vezes por aqui.
Abraço!

filipe guerra disse...

Só mais um coisa: contos de s.Petersburgo é um livro genial!

PN disse...

O estilo deles é um estilo de "abacalho". Nunca percebi se querem realmente passar a imagem de Homens da Luta ou somente de uma dupla de "entertainment". O resultado que eles obtiveram foi uma mistura de votos de contestação à situação actual como votos em tons de gozo.

filipe guerra disse...

Provavelmente tens razão.