17 de Novembro de 2009

redacted


Passou na RTP2 na passada Segunda por volta da 1 da manhã o filme Redacted, um filme de que nunca ouvira falar. Deixou-me perfeitamente siderado em frente à televisão.
Além dos aspectos estéticos, da boa fotografia e tal, que contribuem para prender a atenção de qualquer um, o filme tinha uma componente emotiva e psicológica com uma carga como eu há muito não via.
O filme de Brian de Palma mistura documentário e ficção, sobre os militares americanos que estão no Iraque. A lente exibia um ambiente de caserna, em que se por um lado havia um ou outro soldado mais escrupuloso, por outro, o ambiente reinante era de um total desprezo pela condição humana, pela vida e dignidade humana, não apenas do suposto inimigo, mas pela população iraquiana. Sob a capa da expressão hadji, que tanto cobre um insurgente como uma criança, todos os também designados pretos da areia seriam um alvo a abater, sem qualquer reflexão, dó ou piedade.
O realizador filma imagens imagináveis no III reich, soldados arrombando casas a meio da noite instalando o pânico e raptando homens, soldados provocando cidadãos no meio das ruas, soldados utilizando os checkpoints para apalpar mulheres, 3 soldados massacrando uma família para mais facilmente violarem uma jovem iraquiana de 15 anos que seria queimada no fim. do acto. Um filme violentíssimo, que nos conduz para uma noção da guerra.
Registo o inenarrável papel das forças imperialistas no Iraque, a forma por vezes corajosa e por vezes também violentíssima como respondem algumas correntes insurgentes, mas regista-se essencialmente e tragicamente o enorme pânico e medo, que culmina no ódio, das populações iraquianas pelas forças de ocupação.
Recomendo vivamente este filme de documentário/ficção.

13 de Novembro de 2009

o bibi da sucata

"O sistema judicial português enfrenta o imenso desafio de não deixar que o Face Oculta se torne numa segunda Casa Pia.(...) Mas, há ainda um perturbante sinal de identidade com a Casa Pia. É que o único detido, até aqui, é o equivalente ao Bibi.(...) Tecnicamente, Manuel Godinho não pode ser mais do que um Carls Silvino da sucata(...) Godinho não é mais do que um executivo empenhado e bem pago de uma quadrilha de altos executivos, conhecedores do sistema e das suas vulnerabilidades, que mandou nele. É preciso ir aos responsáveis pelas empresas públicas e aos ministérios que as tutelam"
Mário Crespo, Jornal de Notícias, 9.11.09

O articulista Mário Crespo faz uma curiosa e certeira metáfora.
O foco essencial no combate à corrupção não pode ser o ataque aos juízes, à Polícia Judiciária ou ao Ministério Público, com as habituais e incorrectamente imputadas críticas à morosidade ou à azelhice deste ou daquele agente. O problema é político, e é na alteração da lei processual penal e penal que estão os ónus das falhas do sistema. Vide quem e que propostas tem apresentado na A.R. e quais os resultados das subsequentes votações, talvez assim se perceba qual o rumo do sistema e quem o tem empurrado.
O momento actual é perigoso porque quem detém o poder político são exactamente os mesmos agentes em que de forma individual ou colectiva, recaem as maiores suspeitas. Fica a impressão que a Justiça ficou refém dos malfeitores.


(Candida Monteiro e Almeida Santos, artigo de Pedro Lomba, Sócrates e Pinto Monteiro)

9 de Novembro de 2009

a verdade da mentira

Não tenho particular apreço por muros, alguns deles metem-me algum nojo, pelo seu cariz racista, xenófobo, capitalista, imperialista, humilhante e explorador, são tanta e tanta coisa, alguns simbolizam até a tentativa de extermínio de povos. Na actualidade são indicáveis muros como o west bank na Palestina por Israel, na Irlanda do Norte, em Ceuta e Melilla, no Chipre entre gregos e turcos, na fronteira com o México pelos EUA, ou o Paquistão/Indía . Exemplos de muros que o capitalismo construiu com um único objectivo: ataque.


Por estes dias "comemora-se" os 20 anos do derrube do "muro de Berlim". Motivo de gáudio para os ululantes do capitalismo, de rejubilo para tutti quanti que vão fazendo do pensamento dominante o seu próprio, de realizações e reportagens mais ou menos repetitivas com as mesmas personagens estafadas de sempre explicando "às gerações mais novas" o que "foi" o socialismo, a fome e a peste.
Num período histórico em que todos os sinais económicos apontam para um colapso do capitalismo, não para os capitalistas mas para os que sentem na pele o capitalismo, este aniversário serve para mais uma vergonhosa operação de branqueamento e de ajuste de contas com a História. Parece ser caso para dizer que o susto foi tão grande que vinte anos depois ainda não se calaram...
Há uns anos atrás, em Berlim(na zona Leste) descia a Karl Marx Alle em direcção à imponente Alexanderplatz e entrei numa loja. Após algum tempo a ver artigos senti confiança com um tipo de 30 e tais que lá estava a trabalhar e meti conversa com ele. Perguntei-lhe como eram as coisas dantes, ao que ele me respondeu "eram mais ou menos como hoje, só que não tinhamos desemprego, havia mais qualidade de vida e muito mais esperança no futuro" acrescentou ainda que a sociedade era muito mais "solidária".
Passaram vinte anos, e as esperanças da reunificação ficaram pelo caminho, a igualdade prometida foi promessa que o vento rapidamente levou e aos que nasceram na DDR foi retirado o que de melhor a experiência socialista lhes trouxe.
Passaram vinte anos e não há sondagem nenhuma que esconda a desilusão do povo de Leste, pejurativamente apelidado de ossis. Em recente sondagem de 26 de Junho, o jornal Berliner Zeitung, concluiu que «a maioria dos inquiridos considera que a antiga República Democrática Alemã (RDA) tinha “mais aspectos positivos que negativos"” e que "Passados 20 anos de anexação, 57 por cento da população da ex-RDA continua a defender o socialismo.", também uma recente sondagem do jornal alemão Der Spiegel, concluiu que 92% dos alemães orientais com mais de 17 anos preferiam viver na RDA, e em que 60% dos jovens lamentam que as garantias sociais do socialismo tenham desaparecido.
Julgo que vale a pena lembrar as palavras de Erich Honecker no infame julgamento a que foi submetido: «cada vez mais alemães de Leste constatarão que tinham as condições de vida menos deformadas na RDA do que os alemães ocidentais com a economia “social” de mercado; que as crianças da RDA, nas creches, jardins-de-infância e escolas cresciam mais felizes, menos preocupadas, mais bem formadas e mais livres que as crianças da RFA (...). Os doentes constatarão que, apesar dos seus atrasos técnicos, o sistema de saúde da RDA os considerava como pacientes e não como objectos comerciais (...) Os artistas compreenderão que a censura da RDA, real ou imaginada, não era tão hostil aos artistas como a censura do mercado (...) Reconhecerão que na vida quotidiana, em particular no local de trabalho, tinham na RDA uma liberdade inigualável.»

5 de Novembro de 2009

Outubro sempre!







"Foi aos operários russos que coube a honra e a alegria de serem os primeiros a desencadear a revolução, quer dizer, a grande guerra, a única guerra justa e legítima, a guerra dos oprimidos contra os opressores.

Só quando os de baixo não querem o que é velho e os de cima não podem continuar como dantes, só então a revolução poerá vencer.

A revolução não pode ser imaginada como um acto único(...) mas como uma rápida sucessão de explosões mais ou menos violentas, alternando com períodos de clama mais ou menos profunda.

Os capitalistas sempre chamaram liberdade à liberdade de obter lucros para os ricos, à liberdade de os operários morrerem de fome.

Quem não tiver compreendido a necessidade da ditadura de qualquer classe revolucionária para alcançar a vitória não compreendeu nada da história das revoluções ou não quer saber nada desse domínio."

V.I.Lenine



este senhor funcionário pega no meu passaporte vermelho.

pega-lhe como se fosse uma bomba,

pega-lhe, como se fosse um ouriço como se fosse uma lâmina de dois gumes,

pega-lhe como se fosse uma cobrade vinte dentes,uma cobra pelo menos com dois metros.

piscou significativamente o olho ao carregador, que traz a bagagem de graça.

O gendarme interrogativamente olha para o secreta,

O secreta olha para o gendarme.

Com que prazer a casta policial me teria chicoteado e crucuficado

porque tenho nas mãos o martelo e a foice

do meu passaporte soviético.

Era capaz de devorar a burocracia.

Nao tenho respeito pelos documentos

Ao diabo mandaria todos os papéis

Mas este...

Tiro dos meus bolsos fundos um atestado de inestimável peso.

Leiam bem, invejem,

eu sou cidadão da União Soviética

Mayakovsky

21 de Outubro de 2009

o mérito de Saramago

Ainda não li o novo livro de Saramago. Não vou, portanto, discutir os seus méritos.
Mas para já, não tenho dúvidas que a sociedade portuguesa já ganhou alguma coisa com a polémica instalada, não só sobre o livro, como pelas declarações do escritor e da igreja, ou ainda sobre o carácter e personalidade de Saramago.
Este é um país onde cada vez menos se discute, onde existe uma verdadeira "asfixia" opinativa, quero dizer, um país domesticado por opiniões ambiente e de grupo. O indivíduo é cada vez menos convidado a pensar pela própria cabeça.
Na Educação, na Cultura, no Direito, no Desporto, et caetera e muito mais, a formação da opinião é progressivamente condicionada. Consequentemente, a opinião é menos forte, convicta e beliciosa
Ora, neste contexto, as despudoradas e contundentes afirmações de Saramago são, indubitavelmente, pedradas num charco, que pelo menos servem para aquecer os animos.
Cinzento a mais aborrece e adormece, de vez em quando um pouco de preto e branco. Atirar sem receios.

8 de Outubro de 2009

com toda a actualidade

"A meu ver, a eficácia de uma ideologia depende mais da vontade da massa de a adotar do que da perfeição técnica do marketing político. Essa vontade da massa de adoptar uma ideologia aumenta ou diminui em função das suas condições de vida. sabemos que os períodos de estabilidade da economia capitalista são favoráveis à difusão massiva da ideologia reformista, inclusivamente entre a pequena burguesia. Os períodos de crise, pelo contrário, tornam as camadas pequeno-burguesas, e mesmo certas camadas do proletariado, mais receptivas à demagogia fascista."

Kurt Gossweiler, in Hitler ascensão irresistível, 1973

6 de Outubro de 2009

andem lá agora cabrões, quem é que tinha razão?

O tempo encarrega-se da clarificação, se o algodão não deixa enganar, a vida prova.
Já passam não-sei-quantos-meses desde a eleição de Obama e da respectiva corte. O tempo passou e comprovou-se o que já se sabia, por vezes é preciso mexer em alguma coisa para que tudo fique na mesma como se diz na Sicília, e foi precisamente esta a estratégia do Imperialismo americano e transnacional.
Na altura, como inúmeros outros marxistas por todo o mundo, escrevi que Obama não seria mais que a recauchutagem do capitalismo e do imperialismo, que era uma necessidade para a sua própria sobrevivência que rapidamente apresentasse novas vestes e personagens, enfim, qualquer coisa que lhe permitisse comprar algum tempo mais em flagrante momento de derrocada económica e militar.
Simultaneamente, da direita mais papa-hóstias e cabrona aos sectores mais social-democratas e mediatizados da pretensa esquerda todos em uníssono rejubilavam de esperanças na promessa nova que aí vinha, no fresh start Obamiano. Não se lhe pouparam elogios. Houve mesmo um deslumbrado recém-encartado eurodeputado que lhe chamou de candidato pós-ideológico...
Pois é, as sanções a Cuba mantêm-se, as tais mudanças no sistema de saúde americano continuam a não ser palpáveis para o povo americano, as tropas continuam no Iraque, e hoje anunciou-se o aumento de mais 40mil tropas para o Afeganistão.
Obrigado Marx, obrigado Lenine, pelas vossas ferramentas. Com elas vemos mais à frente.

27 de Setembro de 2009

A Luta continua!


E já está, a maioria absoluta foi ao ar. Não obstante as caracterizações que ainda há poucos anos insistiam na sua eternização, ela ruiu. Tal como o PCP insistiu nos últimos 4 anos, esta política anti-popular iria acabar por ruir mais cedo que tarde, que não existiam maioria absolutas absolutizáveis nem eternas, e que pela luta e apenas por ela, esta maioria iria acabar por sair derrotada.
Este é o grande facto político que deve servir de base para qualquer análise que procure verdadeiramente compreender as causas e prováveis consequências da noite eleitoral e do iminente Parlamento. A vitória do PS é real, mas igualmente diminuída, pela baixa percentagem, pelos deputados perdidos, pelo meio milhão de votos fugidios. E tudo a luta levou.

O PSD dá um passo ao lado, não conseguindo o aumento que necessitaria para se afastar do descontentamento popular registado em urna por Santana há 4 anos. Se alguma culpa o PSD tem no seu insucesso, essa culpa apenas reside na sua total incapacidade em se demarcar das políticas de direita do Governo PS e\ou em apresentar uma proposta política capaz sequer de fixar o eleitorado de direita.

Quanto ao resultado(subida) eleitoral do CDS e do BE, julgo que esta pode ser feita de uma vez só porque o quadro é semelhante. Um e outro partido funcionam como vasos comunicantes de PS e PSD, como forças capazes de recolher e congelar eleitorado momentaneamente descontente com estes dois partidos. Quer CDS, quer BE, conseguem, visivelmente, estruturar as suas subidas eleitorais com base na enorme bonomia e visível apoio com que são tratados pela comunicação social(que não me canso de dizer, é agente de serviço do grande capital nacional e transnacional), note-se que as subidas de ambos são proporcionais em todo o país, ou seja, não são caracterizáveis pelo bom trabalho local de um ou outro candidato ou pelo particular posicionamento ideológico\político de alguma região em específico, mas sim por uma onda que varre todo o país(a tal comunicação social). Por último, pela semelhança de estratégias discursivas, seja pelo populismo demagógico e fascista de Portas, ou pelo foguetório populista e demagógico de Louçã.

A CDU, força política progressista e transformadora, mais firme proposta de ruptura e mudança, consegue um resultado eleitoral positivo, com mais percentagem, mais deputados e mais 30 mil votos. Naturalmente comparando este resultado com outros, parecerá uma vitória de pirro, mas é notável que num quadro político caracterizado por uma grande adversidade e afronta a todos os níveis, batendo-se apenas com a sua força militante contra a gigantesca força mediática e financeira dos restantes adversários, consiga não só resistir como avançar.

Quanto a maiorias governativas ou parlamentares que se venham a formar, por enquanto não faço apostas. Mas duas certezas tenho já: alguém vai roer a corda e incumprir o prometido, a segunda certeza é que a luta continua, pela ruptura e mudança, podem apostar nisto o que quiserem. Quem jura a pés juntos que este projecto hoje saiu derrotado, que se acalme, o mundo pula e avança tal como a luta.

P.S.- não resisto a publicar esta sondagem distribuida gratuitamente, às centenas de milhar por todo o país, na Sexta-Feira antes das eleições. compare-se com os resultados finais.

25 de Setembro de 2009

Uma campanha de ruptura e mudança, popular e de massas!

(Lisboa, Campo pequeno, 24 de Setembro)
(Porto, Palácio de Cristal, 20 de Setembro)
(Évora, Templo de Diana, 13 de Setembro)

23 de Setembro de 2009

Filipe Guerra cada vez mais perto do povão...

Depois do twitter, onde vou andando por aqui, agora também estou no myspace, mais propriamente aqui.
Acho o myspace um espaço bastante agradável, onde é possível uma grande partilha de gostos e ideias entre membros desta comunidade, e mesmo entre pessoas que não estão na comunidade. A partir de agora qualquer pessoa pode ir ao meu myspace e ver os videos e músicas que mais gosto, ou que pelo menos ando a ouvir e ver.

Deixo-vos as caras de alguns amigos que já tenho no myspace, como os Eina, Banda Bassotti, Negu Gorriak, Intervenzione, Mancha Negra, Boikot, Obrint Pas, Tito...





14 de Setembro de 2009

"Vejam lá se votam bem... depois não se queixem!!!"(João Almendra, Festa do Avante!, 6 de Set.)
Agora também é a sério, digo "também" porque para mim a acção e intervenção políticas não começam nem acabam no dia das eleições, são um dia-a-dia de resistência e de luta com vista a uma real e efectiva transformação social que tarda em chegar.
Não tenho, ou pelo menos não quero ter, o desvio esquerdista de desvalorização total das eleições, nem o desvio de direita e institucionalista que crê ser o dia das eleições o dia mais decisivo. Nada disso, um dia importante mas não definitivo ou total, mais um dia de luta.
Enfermeiros, professores, corticeiros, carteiros, agricultores, estivadores, pescadores, bolseiros, operários de todas as matizes, diversas populações e inúmeros sectores socias em Portugal estiveram na luta ao longo dos últimos anos. Milhares de acções de protesto, uma Greve Geral, dias de luta com mais de 200mil participantes et caetera. Acções que se caracterizam, quando analisadas em conjunto, pela sua diversidade de estilo e participação, mas que também foram de grande unicidade na rejeição da política de direita.
Agora é tempo de levar a luta até ao voto! E se é verdade que a luta vai continuar aconteça o que acontecer, também é verdade que ela não só merece um reflexo imediato na urna, como também será tanto mais forte no futuro quanto a oposição consequente saia mais reforçada.
Dizia ontem um comentador, lá tinha de ser não é..., que daqui para a frente já não há política a fazer e que até dia 27 seria assistir ao desfile das gaffes. Talvez para os lados dele assim seja, mas aqui é política que se faz, e em estado puro e duro. Discutir, organizar, mobilizar!

10 de Setembro de 2009

Exercícios de manipulação

Toma lá um debate, toma lá outro, toma lá mais um, aí vai outro ainda... É assim que a pré-campanha para as legislativas começa. Uma enxorrada de debates, em prime-time televisivo, salvo algumas excepções de acordo com as necessidades futebolisticas da nação.
Acabam os debates, nova e sucessiva enxurrada, desta feita dos comentadores, dos comentadores profissionais, dos de ocasião, das novas esperanças et caetera e tal, na tv, na net e nos jornais. O tele-espectador é automaticamente convidado a não pensar, porque nem tempo para isso tem, há quem faça isso por ele.
Olhando atentamente para os comentadores convidados verifica-se uma profusão de ex-políticos e de funcionários dos grupos económicos dominantes e da comunicação social dominante(por sua vez na mão daqueles). Todos ao serviço do capital
Discute-se o volume de voz, o "calor" do debate, a cor das vestes, o passado, presente e futuro dos políticos. Nunca se discute a substância do debate, ou os temas de fundo que interessam e afligem o povo português e que terão ou não sido debatidos. O que interesse a estes comentadores é o fait diver. Note-se que pelo facto de toda esta gente também ter interesses políticos e económicos a defender, tem-se assistido a ajustes de contas relativos a debates anteriores, havendo mesmo quem precise o que o respectivo líder quis dizer no dia anterior... Tudo isto é mais um fino pormenor de uma enorme máquina que pretende fabricar tanto quanto possível um resultado eleitoral.
Esta realidade não é um acaso. Instalação da confusão. Manipulação e ponto final.

2 de Setembro de 2009

as minhas apostas para um bom fim-de-semana




30 de Agosto de 2009

diferenças

Existem diferenças, e como são bem grandes... De um lado, PS, PSD, CDS, BE e tutti quanti da situação. O capital e respectivas agremiações políticas parecem girar num círculo inócuo de qualquer conteúdo político, sendo as diferenças entre protagonistas feitas na base dos meros dons de retórica ou de timing político, da habilidade no fundo. Se Portas volta a fazer da criminalidade um cavalo de batalha, por outro Manuela anda super preocupada com as modalidades nupciais. Se Sócrates se engasga com os caroços da menina, Louçã já não cabe em si. É este o paradigma burguês, não de rupturas, mas de jeitos e jeitinhos ilusórios plenos de radicalismos, promessas e supostas diferenças.
Mas claro que há o outro lado. Claro que há, porra! Um outro lado que não aparece na tv ou no jornal, ou às vezes lá aparece um bocadinho, porque tem mesmo de ser senão já é dar demasiado nas vistas, e ai que o pessoal topa e a CNE ainda pode vir aí. Um outro lado, feito de luta e suor, lá para os lados da Atalaia por estes dias.

21 de Agosto de 2009

Born in DDR

Esta semana o jornal Público, entendeu publicar um conjunto de reportagens sobre o que foi a experiência socialista na República Democrática da Alemanha e sobre a forma como o desenvolvimento dessa experiência é avaliado actualmente na Alemanha. A peça de hoje avisa que o estilo "retro" da Alemanha de Leste está na moda, naturalmente depois segue reproduzindo alguns dos habituais elementos do menu de mistificações e aldrabices que o imperialismo e o capitalismo sempre tentaram colar à imagem da RDA.
Ainda assim, registo que alguns espaços das peças feitas para o jornal público não se limitaram a repetir o cardápio acima anunciado, valendo a pena a sua leitura, vide por exemplo Conta-me como era a Alemanha de Leste e O palácio da RDA contra o da Prússia.

A frase do jornalista segundo a qual "o estilo "retro" da Alemanha de Leste está na moda", peca pela simplicidade e esconde uma realidade e um sentimento por trás da expressão "moda".
Na realidade a experiência socialista na RDA teve aspectos de grande sucesso. Naturalmente os erros também terão existido, mas a verdade é que a RDA resistiu durante décadas a todo o tipo de assédios e provocações do imperialismo e do capitalismo, e não obstante estas provocações, a RDA conseguiu construir uma sociedade muito desenvolvida à sua época, com patamares de conforto e progresso não atingidos pela maior parte dos países capitalistas, nem socialistas...
Esta sentimento pelo estilo retro não é apenas uma opção estéctica, mas o lembrar de um passado muito distante das promessas da unificação e do capitalismo em 1989. Promessas que se esfumaram com a aproximação do presente, e que trouxeram consigo disfarçadas mas importantes consequências como a destruição do aparelho produtivo, o desemprego e o desaparecimento de diversos direitos/conquistas/valores sociais.
Não foi um acidente que produziu o resultado de uma sondagem do jornal alemão Der Spiegel, segundo a qual 92% dos alemães orientais com mais de 17 anos preferiam viver na RDA, e em que 60% dos jovens lamentam que as garantias sociais do socialismo tenham desaparecido. E estas opiniões são reflectidas nas urnas, repare-se nestes valores eleitorais e na visível diferença entre Leste e Oeste.
Não é só o retro que está na moda, é também o desejo de dignidade.

6 de Agosto de 2009


София




Bucuresti






Bratislava



Praha



Warszawa