
E já está, a maioria absoluta foi ao ar. Não obstante as caracterizações que ainda há poucos anos insistiam na sua eternização, ela ruiu. Tal como o PCP insistiu nos últimos 4 anos, esta política anti-popular iria acabar por ruir mais cedo que tarde, que não existiam maioria absolutas absolutizáveis nem eternas, e que pela luta e apenas por ela, esta maioria iria acabar por sair derrotada.
Este é o grande facto político que deve servir de base para qualquer análise que procure verdadeiramente compreender as causas e prováveis consequências da noite eleitoral e do iminente Parlamento. A vitória do PS é real, mas igualmente diminuída, pela baixa percentagem, pelos deputados perdidos, pelo meio milhão de votos fugidios. E tudo a luta levou.
O PSD dá um passo ao lado, não conseguindo o aumento que necessitaria para se afastar do descontentamento popular registado em urna por Santana há 4 anos. Se alguma culpa o PSD tem no seu insucesso, essa culpa apenas reside na sua total incapacidade em se demarcar das políticas de direita do Governo PS e\ou em apresentar uma proposta política capaz sequer de fixar o eleitorado de direita.

Quanto ao resultado(subida) eleitoral do CDS e do BE, julgo que esta pode ser feita de uma vez só porque o quadro é semelhante. Um e outro partido funcionam como vasos comunicantes de PS e PSD, como forças capazes de recolher e congelar eleitorado momentaneamente descontente com estes dois partidos. Quer CDS, quer BE, conseguem, visivelmente, estruturar as suas subidas eleitorais com base na enorme bonomia e visível apoio com que são tratados pela comunicação social(que não me canso de dizer, é agente de serviço do grande capital nacional e transnacional), note-se que as subidas de ambos são proporcionais em todo o país, ou seja, não são caracterizáveis pelo bom trabalho local de um ou outro candidato ou pelo particular posicionamento ideológico\político de alguma região em específico, mas sim por uma onda que varre todo o país(a tal comunicação social). Por último, pela semelhança de estratégias discursivas, seja pelo populismo demagógico e fascista de Portas, ou pelo foguetório populista e demagógico de Louçã.
A CDU, força política progressista e transformadora, mais firme proposta de ruptura e mudança, consegue um resultado eleitoral positivo, com mais percentagem, mais deputados e mais 30 mil votos. Naturalmente comparando este resultado com outros, parecerá uma vitória de pirro, mas é notável que num quadro político caracterizado por uma grande adversidade e afronta a todos os níveis, batendo-se apenas com a sua força militante contra a gigantesca força mediática e financeira dos restantes adversários, consiga não só resistir como avançar.
Quanto a maiorias governativas ou parlamentares que se venham a formar, por enquanto não faço apostas. Mas duas certezas tenho já: alguém vai roer a corda e incumprir o prometido, a segunda certeza é que a luta continua, pela ruptura e mudança, podem apostar nisto o que quiserem. Quem jura a pés juntos que este projecto hoje saiu derrotado, que se acalme, o mundo pula e avança tal como a luta.
P.S.- não resisto a publicar esta sondagem distribuida gratuitamente, às centenas de milhar por todo o país, na Sexta-Feira antes das eleições. compare-se com os resultados finais.